Às vezes penso que entendo essas pessoas que ficam se lamuriando da vida. Mas não as que fazem publicamente, e sim as que fazem secretamente, só para si mesmas, ou em seus blogs. Não é agradável de ler como uma peça ou um trecho construtivo, tampouco é bem escrito, mas acho que é algo que pelo menos serve de alguma coisa para elas. Tem pessoas que choram escondido também. Ou as que ficam num estado sério-melancólico pra sempre. Eu sou desse tipo.
E posso dizer, não é uma preferência. Não sou assim porque me forço a tal. É como uma conserva. Um pepino se transformando em picles porque passou um tempo no líquido. É como você, vivendo em um ambiente em muito tempo, ter se adaptado. Como um animal selvagem que não consegue-se domesticar. Simplesmente isso.
O que eu não entendo: Pessoas que acham que você pode sair disso assim, por livre vontade mágica. Quero dizer, que olham pra você e dizem coisas como "anime-se, a vida é bela", ou "expanda seus horizontes, vamos em festas e baladas", "seja menos exigente", "seja mais sociável", "não se limite". Não que eu acho estes argumentos inúteis. Eles são totalmente válidos. Mas eles não me trouxeram nenhuma diferença notável, quando eu os fiz.
Parecia que eu estava fingindo. Havia aquele entusiasmo do novo, do estar fazendo algo diferente… Mas no fim, o que realmente me trazia felicidade, era minha vida pacata; a leitura de um livro; ver um filme; jogar um jogo; escrever um conto, romance; conversar por toda uma tarde sobre coisas mundanas com pessoas que eu tinha algo em comum; o silêncio, apreciar o silêncio.
Eu nunca fiz estas coisas porque me considero parte de um grupo seleto, um intelectual, que renega a tudo o mais. Eu fiz porque… eu fiz. É o que eu faço. Ahahah. Não tem muito o que pensar a respeito. As pessoas confundem este estado de seriedade com tristeza, mas eu não me sinto triste. Não é isso. É mais como os personagens do Bill Murray. Se você não entendeu o que eu disse, assista qualquer filme do Bill Murray, que vai entender.
Entendo que muitas pessoas me vejam como alguém limitado, infeliz, que leva uma vida vazia. Mas acho que não posso fazer muito a este respeito. Não posso esperar ser visto como eu me vejo.
Hoje eu tive um dia meio ruim. Uma pessoa importante pra mim não estava falando direito comigo, e eu fiquei sozinho por um tempo. Não durou muito, mas neste tempo, eu pude refletir sobre estas coisas. Como o que eu faria quando terminasse de afastar ou de me afastar de todas as pessoas que eu conheci. E a resposta foi, nada. Eu ia ficar comigo mesmo. E pela primeira vez na vida, eu fiquei confortável com a idéia, porque eu gosto de como sou agora. Justamente porque finalmente parei de "expandir meus horizontes" e dei a chance de me conhecer como realmente era. De ficar com os meus gostos. E de viver de acordo com o que acredito. E isso não é limitado. É muito mais expansivo.
A vida é uma coisa difícil. Não gosto de vê-la com arco-íris por todos os lados, porque isso não existe lá fora. Ela é toda incerta e cinzenta, sempre alguém vai pisar em vc se puder, seus amigos vão mudar, seu trabalho nunca vai reconhecer seu potencial, você nunca vai conseguir estudar em uma instituição muito boa, seus pais vão se separar, sempre vai chover na sua cabeça, etc, etc. A vida é uma guerra. E acho que um amigo é alguém que, ao invés de tentar poupá-lo disso, ou mesmo lhe convencer do contrário, lhe prepara para a guerra com o que sabe.
O arco-íris existe, sim, dentro de você. Quando você se humaniza sabendo tudo o que você é e o que pode se tornar. Atinge o estado supremo do seu espírito, seja lá qual for (baladeiro, artista, engenheiro, mecânico, anti-social, nerd, hippie, enfim) e vive de acordo não com regras, planos ou "ditames da bela vida", mas com você e aqueles que preza e é prezado. Você tem de criar a sua bem-aventurança sozinho, e não esperá-la do mundo. Você tem de lutar por ela. E assim, você vai fazer a vida valer a pena.
Pois embora eu possa dizer que entendo quem vive de lamúrias, isso também não leva a lugar nenhum (também o fiz). Mas eu tendo a apreciar mais estas pessoas que as que ficam dizendo que está tudo bem e que o mundo é um grande teatro de maravilhas. Porque não é. A não ser que você o FAÇA para aqueles que gosta, ao invés de ficar falando. E não adianta dar o segredo da sua bem-aventurança pros outros, e sentir pena deles não o seguirem, porque é óbvio que também não funciona. Se funciona pra você, ok, fico feliz, mas assim como há as chaves, também há as fechaduras, e cada um tem a sua própria.
Um velho amigo, que hoje também está distante, um dia me convidou pra assistir uma peça, "Quando Nietzsche chorou". Esse amigo é (ou era, não sei mais) do tipo "veja isso, e tire algo pra vc". Eu não sei o que ele esperava de mim, ou o que acha que eu tirei… Mas eu gostei mto de ver, pq… Nietzsche era um maluco, mas ele dizia "Lembra-te de quem tu és". Ele não podia ser feliz seguindo os dogmas da sociedade, ou os dogmas de outro maluco. Ele tinha de ser ele, mesmo que achasse isso triste, porque se ele parasse de ser ele, não haveria mais Nietzsche.
E acho que é isso que acontece com as pessoas, muito, hoje. Elas, em busca da felicidade suprema ou sei lá o quê, ficam se mudando por isso e aquilo, e acabam não sendo mais as mesmas. Sim, pessoas mudam… Mas eu acho que a essência deve sempre permanecer intacta. Porque afinal, onde estaria a humanidade, então?
Tem esta música, que é para pessoas que tem um mal dia, eu acho. Eu prefiro músicas assim do que músicas falando sobre a multi-beleza no coração dos homens ou as que falam sobre o amor de uma forma brega, cheia de "Eu" e "Nosso" no meio. Certamente alguém diria que eu gosto de ficar na fossa, mas não posso fazer nada a respeito dessa pessoa, digo mais uma vez. Ahahaha. Divirtam-se com a letra, e até uma próxima.
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Woke Up This Morning, Nazareth
Woke up this morning
My dog was dead
Someone disliked him
And shot him through the head
I woke up this morning
And my cat had died
I’m gonna miss her
Sat down and cried
Came home this evening
My hog was gone
The people here don’t like me
I think I’ll soon move on
And now somethin’s happened
That would make a saint frown
I turned my back and
My house burned down
Woke up this morning
My dog was dead
Someone disliked him
And shot him through the head
I woke up this morning
And my cat had died
Don’t you know I’m gonna miss her
Sat down and cried